Meio Ambiente • Programas • Monitoramento e Controle

A implantação da UHE Machadinho modificou a paisagem da região e as condições naturais do terreno, do relevo e das encostas, o que demandou a implementação de monitoramentos e controles das condições físicas, químicas e biológicas desde a fase preliminar de implantação do empreendimento, durante sua construção e na etapa operacional da Usina.

Esse acompanhamento de perto dessas alterações originadas pela implantação de reservatório para geração de energia reveste-se de suma importância em se tratando de um bem da União, cujo aproveitamento se faz em regime de concessão a um empreendedor qualificado.

O empreendedor deve registrar não apenas as condições anteriores, como promover o permanente monitoramento das condições ambientais que incidem sobre o seu empreendimento, para caracterizar tão bem quanto possível a sua responsabilidade, e os fatos devidos a terceiros se a ele indevidamente vierem a ser imputados.

Conforme estabelecia o Projeto Básico Ambiental, os programas de Monitoramento e Controle foram divididos em três grandes sub-programas: (i) Monitoramento das Condições Físicas, Químicas e Biológicas; (ii) Acompanhamento e Controle de Macrófitas e (iii) Ações Integradas de Conservação do Solo e da Água, Saneamento Rural e Fomento à Produção Agropecuária.

O Sub-programa Monitoramento das Condições Físicas, Químicas e Biológicas compreendeu observações e estudos de: (a) condições climatológicas; (b) condições hidrossedimentológicas; (c) monitoramento e controle da estabilidade dos taludes marginais; (d) acompanhamento das condições sismológicas; (e) monitoramento das águas subterrâneas; e (f) monitoramento das águas superficiais.

Monitoramento das Condições Físicas, Químicas e Biológicas

(a) Condições climatológicas

As observações das Condições Climatológicas na fase de implantação da UHE Machadinho e atualmente, na fase operacional, são executadas pela EPAGRI / CIRAM - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A. / Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina.

Os estudos realizados nas fases anteriores e durante a implantação da UHE Machadinho, baseados em dados disponíveis pelo INMET – Instituto Nacional de Meteorologia, no período de 1938 a 1972, e nas análises estatísticas dos dados medidos nas estações convencionais e automáticas de Itá, Chapecó, Campos Novos e Marcelino Ramos, destinados a avaliar a ocorrência de variações climáticas na região da Usina Hidrelétrica de Machadinho, atestam que os resultados obtidos nas oito variáveis observadas, a saber: precipitação, temperatura máxima, mínima e média, umidade relativa, evaporação, insolação e radiação, estão dentro dos limites de normalidade.

Estação Meteorológica Convencional

Estação Meteorológica Automática - plataformas de coleta de dados automáticas (PCDs) (Marcelino Ramos – RS)

Estação Meteorológica Automática - plataformas de coleta de dados automáticas (PCDs) (Marcelino Ramos – RS)

Estação hidrológica automática


(b) Condições hidrossedimentológicas

As observações das Condições Hidrossedimentológicas na fase de implantação da UHE Machadinho foram executadas pela empresa RTK Consultoria Engenharia de Recursos Hídricos e Meio Ambiente e FLOW Engenharia e atualmente, na fase operacional, estão sob a responsabilidade da EPAGRI / CIRAM - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A. / Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina e Flow Engenharia.

Dentre outros objetivos desses registros, destaca-se o acompanhamento da contribuição de sedimentos ao reservatório da UHE Machadinho, obtido mediante a observação sistemática de seis estações: três localizadas no Rio Pelotas: Passo Socorro, Pedro Overa e Machadinho Jusante; duas situadas no Rio Canoas: Passo Caru e Passo Canoas; e uma no Rio Inhandava, Paim Filho.

A operação da rede de observações hidrossedimentológicas foi iniciada durante a construção da usina, com estudos específicos de controle do processo de erosão marginal e assoreamento, antes e logo após o enchimento, e acompanhamento periódico no entorno do lago e à jusante da usina. Com tais análises é possível obter a evolução do processo sedimentológico no reservatório da UHE Machadinho. Verificou-se que o reservatório da UHE Machadinho não apresentou problemas operacionais devido à deposição de sedimentos.

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Seção Topobatimétrica nº 5

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Estação Paim Filho

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Localização das estações hidrossedimentométricas.


(c) Monitoramento e controle da estabilidade dos taludes marginais

O monitoramento e controle da estabilidade dos taludes marginais, na fase de implantação da UHE Machadinho e até fevereiro de 2006, na fase operacional, foi executado pela Arquegeo / PROGEO.

Os estudos da estabilidade dos taludes marginais levantaram 12 áreas mais sensíveis, em uma faixa de 100 metros a partir da cota 480 metros, não tendo sido registrados vestígios de antigas ocorrências ou situações potenciais capazes de acarretar o súbito deslizamento de grandes volumes de material, capazes de obstruírem parcialmente o reservatório à jusante do evento ou gerarem pulsos de ondas com alturas significativas.

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Exemplo de paisagem típica onde foi realizado o monitoramento de taludes.


(d) Acompanhamento das condições sismológicas

O acompanhamento das condições sismológicas na fase de implantação da UHE Machadinho e, atualmente, na fase operacional, é executado pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo.

O estudo sismológico consiste no monitoramento das atividades sísmicas naturais e induzidas na área de influência do reservatório de Machadinho.

Essa rede sismológica dotada de estações digitais triaxiais no entorno do empreendimento, com registros das características sismológicas da área, antes, durante e após o enchimento do reservatório permite a avaliação da distribuição espaço-temporal e o tamanho dos sismos, quando ocorrerem, para caracterizar a sismicidade.

Os eventos apresentaram uma maior atividade durante a fase de enchimento do lago, seguida de uma diminuição, sugerindo uma estabilização, que coincide com o enchimento do reservatório na sua cota de operação.

A ocorrência deste tipo de atividade sísmica em áreas próximas aos lagos formados pela construção da barragem é considerada normal pois decorrem do “ajuste do terreno” em função da percolação da água.

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Vista geral da Estação Sismológica localizada na Linha Canudo, município de Machadinho, em propriedade particular (maio/2001)

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Projeto, exterior e interior do abrigo do registrador


(e) Monitoramento das águas subterrâneas

O monitoramento das águas subterrâneas na fase de implantação da UHE Machadinho até dezembro de 2006, na fase operacional, foi executado pela PROGEO Consultoria de Engenharia Ltda. e SócioAmbiental Consultores Associados Ltda.

Esse programa visou sinalizar uma eventual degradação e recomendar providências para otimizar a utilização dos recursos hídricos subterrâneos abrangidos pelo reservatório, assim como monitorar a evolução espacial e temporal das reservas e da qualidade dos aqüíferos.

Antes do enchimento da UHE Machadinho foram feitas 12 campanhas com freqüência mensal, analisando-se, dentre outros, Bicarbonato, Cloretos, Sódio, além da qualidade mineralógica da água.

Foi realizado um Convênio de Cooperação Técnica com o DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, a fim de monitorar o comportamento e as características dos aqüíferos, antes, durante e após a formação do reservatório.

Tanto para os níveis e vazões, como de qualidade da água, os resultados foram considerados normais. As características observadas tanto para os poços frios, quanto para os poços termais não decorreram da formação do reservatório. Nos períodos em que houve aumento da precipitação na bacia, ocorreu o alteamento dos níveis dos poços, evidenciando a influência das condições climáticas sobre a disponibilidade das águas subterrâneas.

Coleta de água em poço frio - poço 057 - Concórdia (SC)

Coleta de água em poço termal - poço 369 - Piratuba, Termas de Piratuba Park Hotel (SC)

Medição de vazão em poços frios e termais



(f) Monitoramento das águas superficiais

O monitoramento das águas superficiais na fase de implantação da UHE Machadinho e, atualmente, na fase operacional, é executado pela SocioAmbiental Consultores Associados Ltda.

De acordo com os objetivos desse monitoramento, foi realizada a coleta sistemática de amostras no campo com a determinação de variáveis físicas, químicas e biológicas em águas superficiais, sedimento de fundo e tecido muscular de peixe. As ações abrangeram 4 fases: (1) construção, (2) pré-enchimento e enchimento, (3) estabilização, (4) acompanhamento extensivo.

Os resultados das análises realizadas nas fases 1 e 2 demonstraram a não interferência da matéria orgânica submersa na qualidade final das águas originária de outras fontes poluentes, situadas na bacia de contribuição do lago.

O monitoramento que se seguiu ao enchimento do reservatório caracterizou a evolução espacial e temporal da qualidade da água, assim como do ponto de jusante e principais tributários, e avaliou os efeitos que ocorrem na área de contribuição.

A análise temporal dos dados na fase de operação da UHE Machadinho, permite concluir por uma boa qualidade da água superficial do reservatório, prognosticando-se uma situação mais favorável. De acordo com os resultados obtidos nos índices IQA – Índice de Qualidade da Água, todos os pontos receberam classificação ótima ou boa.

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Coleta de água do reservatório para análise laboratorial (maio/2001). Foto> Socioambiental

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Coleta de água do reservatório para análise laboratorial (maio/2001). Foto> Socioambiental


Acompanhamento e Controle de Macrófitas

O acompanhamento e controle de macrófitas na fase de implantação da UHE Machadinho e, atualmente, na fase operacional, é executado pela ECO/Safe – Agricultura e Meio Ambiente.

O reservatório de Machadinho encontra-se em região bastante acidentada, levando à formação de uma represa encaixada, com poucas margens rasas e com elevada profundidade média do corpo hídrico.

Pelas condições orográficas da área inundada, sem uma intensa atividade antrópica, não haveria, em conseqüência, eutrofização importante que, associada às características morfométricas viesse a proliferar plantas flutuantes que dependem basicamente da coluna d’água. O monitoramento da área de inundação do Reservatório de Machadinho ocorreu desde o início das obras de construção da barragem, sendo visitados todos os corpos hídricos e áreas inundadas.

A conduta seguida no acompanhamento de macrófitas é controle mecânico, com revolvimento do sedimento e descarte da biomassa.

Todas as populações detectadas antes do enchimento do reservatório foram eliminadas, visando evitar futuras fontes de propágulos.

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Plantas da Salvinia Sp encontrada no Passo do Bertollo, retirada manualmente


Ações Integradas de Conservação do Solo e da Água, Saneamento Rural e Fomento à Produção Agropecuária

Durante o período de construção da Usina, através do convênio para implementação do Programa denominado de “Ações Integradas de Conservação do Solo e da Água, Saneamento Rural e Fomento à Produção Agropecuária”, foram executados projetos para minimizar a perda de solo agrícola, para redução da poluição de origem animal e doméstica e para minimizar o uso de agrotóxicos.

Nessa ocasião foram firmados Convênios com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Estado de Santa Catarina - EPAGRI e Associação Rio Grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e extensão Rural - EMATER (RS) para a execução do projeto. Dentro desse convênio buscava-se priorizar a prevenção do assoreamento e a contaminação do reservatório.

De forma geral a contribuição poluidora da bacia incremental é pequena porque os lajeados normalmente descem através de uma sucessão de cascatas e corredeiras, o que oxigena e depura as suas águas. Não há indústrias que possam aportar substâncias poluentes. A qualidade da água resulta essencialmente das águas provenientes do rio Canoas e do Pelotas.

Compostagem e vermicompostagem

Uso de mudas florestais

Capacitação institucional local

Capacitação institucional local

Manejo de dejetos

Manejo de dejetos

Coleta e depósito de lixo domiciliar e manejo de agrotóxicos

Ensino, demonstração e difusão de técnicas para o melhoramento dos recurso naturais

Assistência técnica e capacitação dos agricultores

Assistência técnica e capacitação dos agricultores

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